domingo, 21 de novembro de 2010

Obesidade infantil: uns quilos a mais hoje, uns anos a menos no futuro


Já era o tempo em que ter uma criança gordinha em casa era sinal de saúde. Essas crianças
de ontem são os adultos hipertensos, diabéticos e com doenças cardiovasculares irreversíveis de hoje. Atualmente, o tempo que as crianças e adolescentes passam em frente à televisão, aos computadores e video games é bem maior do que o recomendável e acaba tomando o tempo que seria destinado à prática de esportes ou alguma atividade física.
A professora de Educação Física, mestre em avaliação nutricional e pesquisadora Alynne Christian Ribeiro Andaki descobriu que as crianças de hoje desperdiçam, em média, cinco horas com o chamado “tempo de tela”. “Então, mais de 70% dessas crianças estão passando muito tempo sentadas. Além desse tempo em casa, tem o tempo na escola, que elas já ficam sentadas”, alerta.
A falta de uma atividade física mais regular dentro das escolas torna-se um agravante. “O exercício frequente ainda consegue controlar os demais fatores da síndrome metabólica. Se temos uma criança acima do peso, mas é ativa, ela terá menor predisposição a desenvolver hipertensão e diabetes quando adulta. E a recomendação em termos de exercício é de 13 mil passos para os meninos e 12 mil para as meninas, o que revela mais atividades para as crianças do que para os adultos, que precisam dar pelo menos 10 mil passos”, afirma a pesquisadora. Da amostra pesquisada em Viçosa (MG), apenas 13% dos meninos conseguiram atingir essa marca, e no caso das meninas o alcance da meta ainda foi mais baixo. “Isso significa que as crianças de hoje não estão conseguindo realizar o mínimo de atividade física exigido para seu próprio desenvolvimento. Dentro das alternativas que propus para identificação da síndrome metabólica, vimos que o percentual de gordura corporal tem forte associação com a síndrome e a maior parte das meninas apresenta peso muito mais alto do que o recomendado”, frisa Alynne. O motivo seria o comportamento delas, ou seja, menor nível de atividade física. Um problema muito mais cultural do que físico, de acordo com a pesquisadora.
A recomendação da especialista aos pais é de que essas crianças pratiquem mais esportes ou mesmo realizem atividades como caminhada, saindo do sedentarismo e tendo uma alimentação mais baseada em frutas e legumes.

Durma bem e então emagreça!


Não se trata de nenhum método milagroso anunciado na televisão - aquelas do ligue já! - que você conecta ao corpo antes de deitar. É muito mais simples, acessível e gostoso do que isso. O sono está no mesmo patamar de importância da alimentação equilibrada e do nocaute ao sedentarismo, hábitos consagradíssimos para manter o ponteiro da balança estável.
Isso quer dizer que dormir bem não só ajuda a emagrecer mas também garante melhor qualidade de vida. O assunto ganha a cada dia mais destaque entre os especialistas. Já há estudos que ligam a privação de sono a acidentes no trabalho e à baixa resistência ao stress e infecções, além de ter relação íntima com doenças como depressão, e agora também, com a obesidade. Dois estudos norte-americanos, da Universidade de Chicago e da Universidade de Columbia, apontaram a relação inversa entre um curto período de repouso e o aumento do índice de massa corporal (o tal do IMC).
Uma pesquisa conduzida no Brasil pelo pneumologista Denis Martinez, fundador da Clínica do Sono, em Porto Alegre, confirma o resultado do estudo americano. “Quem dorme cinco horas ou menos por noite corre três vezes mais risco de se tornar, no futuro, obeso”.
A recomendação geral é descansar de sete a oito horas por noite. Mas dormir menos que isso nem sempre implica um hábito pouco saudável, já que cada pessoa possui um biorritmo diferente. Dormir demais — entre 12 e 13 horas seguidas — também pode apontar algum distúrbio respiratório, como apnéia ou ronco, e, por isso, nem sempre deve ser encarado como atestado de saúde. Ter um sono reparador, em que você adormece sem dificuldade e acorda bem disposta, sem aquela sensação de cansaço, é o termômetro para saber se está na medida certa.

“O problema é a privação voluntária de sono. Na sociedade moderna, dormir fica sempre para depois do programa de TV preferido, da vida noturna agitada, do trabalho extra levado para casa, do acordar mais cedo para evitar o trânsito carregado...”, alerta Geraldo Rizzo, presidente da Sociedade de Neurofisiologia Clínica, de Porto Alegre. “Assim como se alimentar direito e fazer exercício são fatores fundamentais para a saúde, dormir bem deve ser uma prioridade se você se preocupa em viver cada vez melhor”, sugere o especialista. Recado mais do que perfeito para você se entregar aos lençóis.